Estímulo na pré-escola: cedo demais ou momento ideal?

11 de junho de 2018 em Be a Blog

Muitos pais se perguntam sobre o estímulo em crianças de 3 a 5 anos que estão no período da pré-escola e se é ideal que eles recebam conteúdo de diferentes fontes para um enriquecimento acadêmico. Com isso iniciou um movimento agitado em busca de “Babies class” por todo o país. Ensino bilíngue para bebês, música clássica, artes e filosofia para crianças. E o que isso significa para a criança?

Durante os primeiros anos de vida a criança apresenta uma plasticidade cerebral muito boa, que permite que aprendam muitas coisas e de forma muito mais veloz do que em qualquer outra idade da vida dela. Essa plasticidade permite que as sinapses ocorram e se formem mais rapidamente, o que facilita o processo de aprendizado de uma nova habilidade como falar uma segunda língua ou desenvolver dons musicais.
Realmente o estímulo infantil é muito válido para crianças de 3 a 5 anos, pois esse é um momento incrível para ela, neurologicamente falando. No entanto, o que tem ocorrido é uma sobrecarga de informações nessas crianças. Crianças de 4 anos que já possuem uma complexa agenda de aulas e cursos são mais propícias a demonstrar desinteresse pela escola.

O superestímulo infantil gera nos pequenos aprendizes uma monotonia criativa pela falta do brincar. Por maior que seja a plasticidade cerebral nessa faixa etária, nunca devemos esquecer que são crianças e que parte do seu desenvolvimento depende também do brincar e do ócio. Os antigos gregos valorizavam muito o ócio, pois é através dele que a criatividade surge. O ócio criativo é extremamente produtivo para eles que estão em pleno desenvolvimento. E quando falamos de ócio, estamos falando de realmente não fazer nada. Deixar a criança livre de tecnologias ou estímulos. Apenas ela e seus pensamentos. Daí ela irá brincar e realizar atividades como a resignificação de objetos, por exemplo, quando finge que uma caixa é um carrinho ou que um lápis é um boneco.

Todo esse processo criativo, somado ao ócio produtivo e os estímulos na medida certa, farão com que a criança tenha um interesse cada vez maior pelo aprender e descobrir coisas novas, pois será movida por tudo que está sendo ensinado a ela e, ao mesmo tempo, gerando curiosidade e criatividade em seus momentos de lazer. E nem precisamos mencionar da necessidade do brincar para desenvolver habilidades sociais.
Estimulem as crianças sim! Na medida certa, sem pressões e sempre dedicando um tempo de qualidade junto a ela para brincar e fazer nada também!

O movimento de mudança da educação

4 de junho de 2018 em Be a Blog

A partir dos anos 1960 um forte movimento de mudança nas escolas foi iniciado gerando uma intensa pesquisa sobre qual a melhor estratégia precisava ser tomada para que as escolas cumprissem melhor seus objetivos.

Durante as décadas de 1960 e 1970 esse movimento ocorria de fora para dentro, através de grandes especialistas em educação, mas deixava de fora a participação do professor, o atuante que estava na ponta da vivencia e não opinava na elaboração dessas mudanças.

Em oposição a esse movimento surge, paralelamente, um novo modelo ignorando as pesquisas externas e caracterizando-se pela importância do papel do professor e sua pesquisa a partir da pratica.

Podemos observar que ambos os modelos buscam a mesma coisa: melhorar a qualidade do ensino e transformar a cultura, mas ambas falharam em desconsiderar a perspectiva do próximo. Um grupo não levou em conta toda a experiência de trabalho de quem se encontra diariamente na vivencia escolar, enquanto o outro desconsiderou toda a fundamentação teórica e pesquisa. No final de toda essa discussão quem sai perdendo e a própria educação que leva anos a mais para dar um salto em melhoria. Somente a partir da década de 1990 podemos observar um movimento mais integrador, voltado para múltiplos conhecimentos e considerando professores, pesquisadores, escolas e comunidade. Esse e o caminho para a mudança na educação. Por mais que a escola seja o centro da mudança, e preciso considerar todos os aspectos e instituições que a orbitam: governo, família, professor, escola e aluno.

Devemos caminhar para uma educação intercultural, personalizada com o propósito de atender as necessidades educativas de cada cultura. Um processo de aprendizado pautado em estimular a criatividade, colaboração e múltiplas competências. A mudança começa em nos, e mais do que nos preocuparmos com a mudança, devemos nos preocupar com que qualidade estamos mudando a educação.

A educação espartana em nós

28 de maio de 2018 em Be a Blog

Dar aos alunos o direito à escolha é algo que muitas escolas, secretarias de educação e demais instituições de ensino estão comentando atualmente. Quando paramos para analisar o processo de ensino da educação atual vemos que no contexto social em que ela está inserida suas abordagens estão esgotadas e, enquanto não surge nada novo, essas abordagens que não atingem perdurarão por algum tempo.

Quando nos remetemos aos modelos antigos de educação, nos deparamos com dois exemplos: a educação ateniense e a educação espartana. A primeira é livre, formadora crítica de expressão e de grandes líderes. Enquanto a segunda representa uma educação rígida, militar, formadora de obedientes a uma cadeia de comandos. Comparando nosso modelo de educação atual, como diria Paulo Freire, estamos em uma educação bancária, onde o professor deposita toda a informação e conteúdo no aluno e, ao final, determina se o aluno se encontra apto ou não, retirando seu “extrato de conhecimento” com tudo o que pôde ser aproveitado dos depósitos realizados. Ainda estamos distantes de um modelo de educação ateniense, nossa educação é espartana. Rígida, controladora e sem direito à escolha.

Recentemente começaram a surgir em algumas instituições o protagonismo infanto-juvenil, o que é muito bom. Os alunos precisam estar na liderança de seu processo de aprendizado e do ambiente que promova esse aprendizado, pois é através desse protagonismo que surgirão competências que levarão à colaboração, criatividade, senso crítico e liderança.

O discurso mais vendido é o de que a educação prepara para a vida. Mas, olhando bem para o que tem sido ensinado em sala de aula e como a vida na sociedade atual realmente está, notamos que um não se relaciona com o outro. As práticas inovadoras em sala de aula devem ser multidisciplinares, colaborativas, comunicativas, hábeis e tecnológicas. Com uma educação que volte seu processo de ensino nesses moldes, iniciaremos nossa migração de Esparta para Atenas.