O movimento de mudança da educação

4 de junho de 2018 em Be a Blog

A partir dos anos 1960 um forte movimento de mudança nas escolas foi iniciado gerando uma intensa pesquisa sobre qual a melhor estratégia precisava ser tomada para que as escolas cumprissem melhor seus objetivos.

Durante as décadas de 1960 e 1970 esse movimento ocorria de fora para dentro, através de grandes especialistas em educação, mas deixava de fora a participação do professor, o atuante que estava na ponta da vivencia e não opinava na elaboração dessas mudanças.

Em oposição a esse movimento surge, paralelamente, um novo modelo ignorando as pesquisas externas e caracterizando-se pela importância do papel do professor e sua pesquisa a partir da pratica.

Podemos observar que ambos os modelos buscam a mesma coisa: melhorar a qualidade do ensino e transformar a cultura, mas ambas falharam em desconsiderar a perspectiva do próximo. Um grupo não levou em conta toda a experiência de trabalho de quem se encontra diariamente na vivencia escolar, enquanto o outro desconsiderou toda a fundamentação teórica e pesquisa. No final de toda essa discussão quem sai perdendo e a própria educação que leva anos a mais para dar um salto em melhoria. Somente a partir da década de 1990 podemos observar um movimento mais integrador, voltado para múltiplos conhecimentos e considerando professores, pesquisadores, escolas e comunidade. Esse e o caminho para a mudança na educação. Por mais que a escola seja o centro da mudança, e preciso considerar todos os aspectos e instituições que a orbitam: governo, família, professor, escola e aluno.

Devemos caminhar para uma educação intercultural, personalizada com o propósito de atender as necessidades educativas de cada cultura. Um processo de aprendizado pautado em estimular a criatividade, colaboração e múltiplas competências. A mudança começa em nos, e mais do que nos preocuparmos com a mudança, devemos nos preocupar com que qualidade estamos mudando a educação.

A educação espartana em nós

28 de maio de 2018 em Be a Blog

Dar aos alunos o direito à escolha é algo que muitas escolas, secretarias de educação e demais instituições de ensino estão comentando atualmente. Quando paramos para analisar o processo de ensino da educação atual vemos que no contexto social em que ela está inserida suas abordagens estão esgotadas e, enquanto não surge nada novo, essas abordagens que não atingem perdurarão por algum tempo.

Quando nos remetemos aos modelos antigos de educação, nos deparamos com dois exemplos: a educação ateniense e a educação espartana. A primeira é livre, formadora crítica de expressão e de grandes líderes. Enquanto a segunda representa uma educação rígida, militar, formadora de obedientes a uma cadeia de comandos. Comparando nosso modelo de educação atual, como diria Paulo Freire, estamos em uma educação bancária, onde o professor deposita toda a informação e conteúdo no aluno e, ao final, determina se o aluno se encontra apto ou não, retirando seu “extrato de conhecimento” com tudo o que pôde ser aproveitado dos depósitos realizados. Ainda estamos distantes de um modelo de educação ateniense, nossa educação é espartana. Rígida, controladora e sem direito à escolha.

Recentemente começaram a surgir em algumas instituições o protagonismo infanto-juvenil, o que é muito bom. Os alunos precisam estar na liderança de seu processo de aprendizado e do ambiente que promova esse aprendizado, pois é através desse protagonismo que surgirão competências que levarão à colaboração, criatividade, senso crítico e liderança.

O discurso mais vendido é o de que a educação prepara para a vida. Mas, olhando bem para o que tem sido ensinado em sala de aula e como a vida na sociedade atual realmente está, notamos que um não se relaciona com o outro. As práticas inovadoras em sala de aula devem ser multidisciplinares, colaborativas, comunicativas, hábeis e tecnológicas. Com uma educação que volte seu processo de ensino nesses moldes, iniciaremos nossa migração de Esparta para Atenas.